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Minú, o mascote do Pampas On Line

Porto Alegre, RS,  de 2009.


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 Última atualização

janeiro 07, 2009

 
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DANÇA GAÚCHA E INFLUÊNCIAS

 

As gaúchas são as mais coreográficas danças brasileiras e são marcadas pela influência das culturas espanhola, portuguesa e francesa. As danças gaúchas estão impregnadas do verdadeiro sabor campesino do Rio Grande do Sul; são legítimas expressões da alma gauchesca. Em todas elas está presente o espírito de fidalguia e de respeito à mulher, que sempre caracterizou o campesino riograndense. Ás vezes, também, a dança gaúcha é caracterizada por movimentos e sapateados fortes e até violentos. Em seus volteios exige grande esforço dos dançarinos, chegando em alguns casos, apresentar-se como um desafio de perícia, agilidade e audácia.

 ANÚ

Dança típica do fandango gaúcho, o Anú divide-se em duas partes totalmente distintas: uma parte cantada e outra sapateada. Aproxima-se bastante da “quero-mana”, principalmente pelo passeio cerimonioso que os pares realizam. O período em que o Anú gozou de maior popularidade, no Rio Grande do Sul, foi em meados do século passado. A partir daí , tal como ocorreu com as demais danças do fandango, foi cedendo lugar às danças de conjunto que surgiam, ou se amoldou às características dessa nova geração coreográfica: daí haverem surgido variantes como o Anú de cadena, com nítida influência das danças platinas sob o comando. O Anú é legítima dança de pares soltos, mas não independentes. É dança grave (na parte cantada e nos passos cerimoniosos) mas ao mesmo tempo viva e algo pantomímica (na parte sapateada e nas evoluções que os homens apresentam). Há um marcante que ordena as figuras e sapateados. Cada figura pode ser mandada repetir pelo marcante, à voz de “outra vez que ainda não vi”.

BALAIO

O Balaio é brasileiro da gema e procede do nordeste, assevera Augusto Meyer em seu guia do folclore gaúcho. Do ponto de vista musical, o balaio guarda nitidamente a feição de nossos velhos Lundús, aqueles mesmos que criaram no nordeste do Brasil, o baião. Nas estrofes de seu canto, outrossim, o Balaio relembra quadrilhas dos sertanejos, não faltando siquer um redundante “não quero balaio, não” bem estranho ao linguajar gauchesco. Constitui uma dança bastante popular em toda a campanha do Rio Grande do Sul. O nome Balaio origina-se  do aspecto de cesto que as prendas dão a suas saias, quando o cantador diz: “moça que não tem balaio, bota a costura no chão”. A esta última voz, as prendas giram rapidamente sobre os calcanhares e se abaixam, fazendo com que o vento se embolse nas saias. O Balaio, tal como se tornou popular no Rio Grande do Sul, apresenta uma simbiose bastante curiosa, realmente excepcional. Trata-se de dança sapateada, e ao mesmo tempo, dança de conjunto. A coreografia divide-se em duas partes (que correspondem às duas partes do canto): o sapateio e o girar de duas rodas concêntricas, constituídas por homens e outra por mulheres. O sapateio é uma decorrência das danças sapateadas puras, de pares soltos e independentes. A formação de rodas que giram é originária da conhecidíssima figura da quadrilha “dames ao milieu, chevaliers ao tour”, a qual se encontra presente em danças regionais de todo o mundo ocidental.

CANA VERDE

A Cana Verde chegou de Portugal e se tornou popular em vários estados brasileiros. Naturalmente foi adquirindo cores locais, em cada região e desta forma produzindo variantes da dança-origem. A coreografia apresentada pelo grupo Aruanda é a mais difundida no nordeste e litoral do Rio Grande do Sul.

CARANGUEJO

Esta dança já foi popular em todo o País, porém,  atualmente, concentrou-se no Sul. A sua coreografia apresenta-se  por cumprimentos  entre os dançarinos e balanceios; evolução originária da quadrilha européia.

CHIMARRITA 

Dança popular em Açores, Portugal. Trazida pelos açorianos na metade do século XIX. Nos países platinos é conhecida por Chamané. No Rio Grande do Sul é conhecida também por limpa banco,pois ninguém consegue ficar sentado ao ouvir a sua melodia. Inicialmente era uma dança de pares enlaçados, com influências dos xotes e das valsas. Atualmente os pares dançam soltos, ora numa direção ora noutra, em filas e me roda. Em outros momentos executam passos de polca, bailando juntos.

CHIMARRITA ALAZÃO

Quando os colonos açorianos, na Segunda metade do século XVIII, trouxeram ao Rio Grande do Sul a “Chimarrita”, esta dança era então popular no arquipélago do Açores e na ilha da madeira. Desde a sua chegada a este estado do sul, a “Chimarrita” foi se amoldando às subseqüentes gerações coreográficas e chegou mesmo a adotar em princípios de nosso século a forma de dança de pares enlaçados, como um misto de valsa e xotes. Do Rio Grande do Sul, (e de Santa Catarina), a dança passou ao Paraná, ao estado de São Paulo, bem como às províncias argentinas de Corrientes e Entre-Rios, onde ainda hoje são populares as variantes “Chimarrita” e “Chamané”. A corruptela chimarrita foi a denominação mais usual dessa dança, entre os campeiros do sul. Em seu feitio tradicional, a Chimarrita é dança de pares em fileiras opostas. As fileiras se cruzam, se afastam em direções contrárias e tornam a se aproximar, lembrando as evoluções de certas danças tipicamente portuguesas.

CHIMARRITA BALÃO

A Chimarrita balão, é conhecida somente no litoral norte e planalto nordeste do Rio Grande do Sul. Balão foi uma dança bastante vulgarizada em Portugal no século passado, e teve, no Brasil variantes como o Balão faceiro. Não existe, a não ser na denominação, a mínima semelhança entre a Chimarrita balão e a tradicional Chimarrita. Esta dança é de pares independentes. Apresenta uma simbiose curiosa, pois engloba duas gerações coreográficas extremamente distintas: é dança de pares enlaçados (geração que se vulgarizou entre os latinos somente a partir do século passado), e, ao mesmo tempo, dança sapateada (tal geração atingiu o auge da popularidade entre os latinos, no século XVIII).

CHULA

Dança em desafio, praticada apenas por homens. A chula tem bastante semelhança com o lundu sapateado, encontrado em outros Estados brasileiros. No sul, uma vara de madeira denominada lança e medindo cerca de 4 metros de comprimento é colocada no chão, como dois ou três dançarinos dispostos cada um em suas extremidades. Ao som da gaita gaúcha, executam diferentes sapateados, avançando e recuando sobre as mesmas. Após cada seqüência realizada, o outro dançarino deverá repeti-la e em seguida realizar uma nova seqüência, geralmente mais complicada que a do seu parceiro. Assim, vencerá o dançarino que perder o ritmo, encostar na vara ou não conseguir realizar a seqüência coreográfica desafiada pelo anterior.

MAÇANICO  

Essa dança por suas características coreográficas parece ser portuguesa. Com o nome de Maçanico, surgiu no Estado de Santa Catarina e daí passou ao nordeste e litoral do Rio Grande do Sul. O nome constitui uma corruptela de maçarico, ave do sul do País.

PEZINHO

O Pezinho constitui uma das mais simples e ao mesmo tempo uma das mais belas danças gaúchas. A melodia do Pezinho, muito popular em Portugal e nos Açores, veio a gozar de intensa popularidade no litoral dos estados brasileiros de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre os gaúchos, a música do Pezinho amoldou-se à instrumentação típica, e adquiriu, graças a cordiona, mais vivacidade e alegria, ao mesmo tempo em que a coreografia se amoldou ao espírito da gente do litoral riograndense. É necessário frizar que o Pezinho é a única dança popular riograndense em que todos os dançarinos obrigatoriamente cantam, não se limitando portanto, a simples execução da coreografia. O Pezinho pertence a uma geração coreográfica especial, que se apresenta duas figuras características: na primeira figura, há  uma marcação de pés e na segunda, os pares giram em redor de si próprios, tomados pelo braço. Desta forma o Pezinho riograndense é irmão da Raspa mexicana, do Chilbelri francês, do Herr-schimidt alemão, etc...Em relação à sua estouvada irmã mexicana e a seus robustos e desatinados irmãos europeus, o Pezinho sobressai pela ingenuidade com que fala e com que age. Sua ingenuidade e sua ternura é que fizeram a dança predileta dos tradicionalistas riograndenses.

TIRANA DO LENÇO 

A Tirana do Lenço denota sua integração na região coreográfica das danças sapateadas, de par solto, não só pelos passos e sapateados, como principalmente pela mímica amorosa que caracterizou tal geração e que se resume num movimento de aproximação, fuga e encontro final dos dois dançarinos. Essa, era executada normalmente por um casal de dançarinos, mais as vezes por dois ou mais pares; nesse caso , então as figuras se sucediam sob o comando, de modo a guardar a uniformidade original.. Um dos elementos marcantes desta dança é o lenço, usado tanto pels homens como pelas prendas.

XOTE CARREIRINHA

Coreograficamente o Chote guardou de modo geral os passos da dança de origem, mas se  enriqueceu de uma série de variantes- peculiares a determinados municípios rio- grandenses onde todos executam  os  mesmos movimentos ao mesmo tempo.

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FANDANGO NO PARANÁ

 

 O Fandango, no Paraná, é uma festa típica dos caboclos e pescadores habitantes da faixa litorânea do Estado, na qual se dançam várias danças regionais, denominadas marcas do Fandango.

Temos registrado perto de trinta marcas diferentes, e muitas outras existem ainda, própriasde cada região em que se dança o Fandango. As que temos anotado são as seguintes: Anu, Xarazinho, Xará-Grande, Queromana, Tonta, Dondon, Chamarrita, Andorinha, Cana-Verde, Marinheiro, Carangueijo, Violão-de-Fita, Meia-Canja, Chico, Tiraninha, Lageana, Passeado, Feliz, Serrana, Sabiá, Recortado, Caradura, Sapo, Tatu, Porca, Estrala, Pipoca, Mangelicão, Coqueiro, Pega-fogo e outras, umas conhecidas em certas zonas e outras, noutras.

As danças se dividem em dois grupos: as batidas e as valsadas ou bailadas. As primeiras se caracterizam pelo sapateado forte, barulhento, batido a tamanco ou sapato. Abafam quase completamente a música do conjunto. Esse bater do tamanco se chama em alguns lugares rufar. Nas segundas não há sapateado. São uma espécie de valsa lenta, em que cada dançarinobaila em geral com o mesmo par, mais se arrastando do que dançando.

As marcas valsadas são intercaladas entre as batidas, para descanso dos bailarinos, intercalando-se geralmente uma valsada depois de duas ou três batidas. O sapateado batido a tamanco, com a violência com que é usado, é um exercício exaustivo, que deixa os dançarinos do Fandango tresandando a suor e com a camisa alagada. É conhecido, no Balneário de Caiobá, o sr. Machadinho, cujo pai tomou o nome de Machado, porque, com a força com que batia o Fandango, quebrava as tábuas do soalho. Os Fandangos são dançados sempre em recinto fechado, isto é, dentro de casa, e onde o chão seja de madeira, de modo que haja a devida ressonância do batido.

O sapateado é feito exclusivamente pelos homens. As mulheres não batem no Fandango.

Em Serra Negra, no Rio dos Medeiros e em outros pontos da Baía de Paranaguá, o Fandango é dançado em cima do arroz, a fim de "tirá-lo do casco". A isso se chama "fazer gambá". Alia-se assim ao Fandango uma função econômica, altamente proveitosa.

Não há comando que oriente o desenrolar da coreografia. Os dançarinos seguem a música, aliando à sua execução uma série de convenções sabidas por todos e aprendidas em casa desde crianças.

O ritmo da dança, nos valsados, é diferente do ritmo da música, sendo este último bem mais rápido. Aliás, toda a música do Fandango é quase só ritmo. A linha melódica é muito indeterminada e por vezes imperceptível.

A única voz de comando que se ouve no Fandango é dada como sinal para indicar o fim de qualquer marca: ô de casa! - gritada por um dos violeiros. A esse grito as mulheres saem da roda e os homens batem o arremate.

As marcas batidas, embora se componham de partes batidas e valsas, terminam sempre no batido, com um batido forte, uníssono, dado simultaneamente por todos os bailarinos.

Antes do início do Fandango ou nos intervalos das marcas, geralmente os cavalheiros batem sapateando pela sala, sem música, por sua própria conta, com fim de convidar, influir e chamar as damas, e, ao mesmo tempo, provocar o início da dança.

O Fandango é dançado em toda faixa litorânea do Paraná, mesmo ao pé da Serra do Mar e já bastante afastado, portanto, das praias, como em Morretes e Porto de Cima. Na zona praieira, conserva-se nos melhor nos locais distantes dos balneários e das cidades, ainda não atingidos pela civilização: como o Pontal do Sul, na Praia de Leste; a barra do rio Guaraguaçu; o Rio dos Medeiros; a Serra Negra, etc. Nas zonas balneáreas, como Matinhos, Caiobá e Guaratuba, já perdeu muito dos seus característicos.

O Fandango tem, no Paraná, uma vitalidade e uma pureza raras, embora a tendência, em nossos dias, seja para o seu total desaparecimento, dentro de mais duas ou três gerações. Os que mantêm a tradição do Fandango vívida e pura são os velhos e os homens feitos. Os jovens da nova geração já não querem dançar o Fandango, sentem-se envergonhados e preferem as danças modernas.

É usual o emprego da expressão folgadeira para designar as mulheres que participam do Fandango. Os homens são folgadores. Aliás, é de se ver a atitude apática e indiferente das mulheres, andando molemente, com as mãos metidas nos bolsos dos casacos, sem trejeitos nem requebrados. Fisionomias absolutamente inexpressivas. O seu entusiasmo pela dança, que é sincero, não se manifesta absolutamente no exterior.

INSTRUMENTOS MUSICAIS

        
O acompanhamento do Fandango é feito por um pequeno conjunto musical, constituído de uma ou duas violas, uma rabeca e um adufo (pandeiro). Os músicos cantam junto com a música, mas os que dançam não cantam. Por vezes o violeiro não se contenta com tocar e cantar, mas ainda bate, braceia, valsa e larga a viola para bater palmas. Na letra, encontram-se décimas tradicionais, conhecidas em outros estados e em Portugal. Uma parte, porém, é improvisação de momento, que vai brotando espontânea da alma dos violeiros.

A viola tem geralmente seis cordas (às vezes sete), incluindo a meia-corda, chamada turina. É construída pelos próprios pescadores, de uma madeira denominada cacheta, com requintes de acabamento artístico. A cacheta é uma árvore grande e grossa, útil para construção, e que não é afetada pelo cupim. No corpo da viola fazem incrustações de canela ou imbuia, representando pombinhas e desenhos geométricos.

A rabeca tem três cordas (às vezes quatro) e é também feita de cacheta, tendo o braço e o arco de canela preta ou cedro. O sedenho do arco é feito de crina de rabo de cavalo ou mesmo de fio de linha.

O adufo é coberto com couro de cutia ou mangueiro (cachorro do mangue), sendo de salientar a superioridade do couro de cutia.

O fandango começa ao anoitecer, sete ou oito horas, e só termina de manhã, depois do sol nascido. É comum dançarem a noite de sábado para domingo, descansarem durante o dia, e recomeçarem à noite, de domingo para segunda, emendando assim duas noites consecutivas. No carnaval, o Fandango se estende por 3 ou 4 noites seguidas, estabelecendo-se mesmo uma porfia, entre dois ou três conjuntos, para ver qual o que agüenta até o amanhecer. Bebidas, comidas, desafios de cantadores, por eles conhecidos como profias (porfias), enchem os intervalos nas noites de Fandango.

Errar no Fandango é fazer balaio, e desfeita faz a folgadeira que se recusa a dançar.

O passo característico do Fandango, e que entra em quase todas as marcas, é o oito. O cavalheiro, dançando, descreve um oito, tendo por centro dos dois círculos as duas folgadeiras que se encontram à sua frente e atrás de si, na roda.

É interessante observar-se, tanto no Fandango como em outras festas populares, a força de absorção da terra, o poder tremendo de assimilação que o meio exerce sobre o homem. No local denominado Balneário, na Praia de Leste, encontramos, como mestre de Fandango, o senhor João Cláudio Gilier, filho de franceses e todo ele de aspecto gaulês. Da mesma forma, em Morro Grande, município de Cerro Azul, encontramos um Schleder comandando a Dança de São Gonçalo.
        Nas diversas marcas do Fandango, sente-se, quer nos batidos, quer nas palmas (sempre batidas nos intervalos do sapateado), a influência viva de Portugal e Espanha.

Os textos musicais que se seguem, tomados uns na Colônia de Pescadores da Costeirinha, na barra do rio Guaraguaçu (Município de Paranaguá), outros na Colônia de Pescadores do Pontal do Sul, na Praia Leste, também no Município de Paranaguá, representam apenas a linha melódica do canto. O grupo do Pontal do Sul desenvolve na perte instrumental, sobretudo a rabeca, uma outra frase melódica, em contraponto, não registrada neste trabalho. Este grupo, melhor na afirmação e na parte instrumental de um modo geral, tem um mais pronunciado sabor de primitivismo, que encanta e atrai pela sua ingenuidade.

MARCAS

ANU

        Geralmente a marca que abre o Fandango é o Anu. Nessa dança os homens e mulheres, alternados, formam uma grande roda. É dança batida, mas só os homens sapateiam, como, aliás, acontece com todas. Os tamancos batem fortes no chão, uníssonos, numa cadência perfeita e difícil. A roda vai girando. Nos intervalos do sapateado, as palmas substituem o batido. O passo principal do Anu é o oito. Os homens descrevem simultaneamente um oito, tendo por centro dos dois círculos as damas que os ladeiam. Isso durante o batido e sem interrompê-lo. Antes de cada oito, as mulheres se voltam para trás e dão sua mão direita à esquerda do homem, com os braços levantados, formando um arco, por baixo do qual passam, indo portanto ocupar o lugar da dama anterior.

        A letra que colhemos é a seguinte:

        O anu é passo preto,
        Passarinho do verão,
        Qundo canta meia-noite,
        Alegra meu coração.

        Meu
senhô, dono de casa,
        Minha fita de nobreza,
        Pra
cantá em sua casa,
        Canto com delicadeza.

        Me sentei neste banquinho,
        Com este pinho na mão,
        Quero
um viva alegre,
        Meu
sinhô e cidadão.

        Vem o cisco da enchente,
        A maré trazendo areia,
        Vem os
peixinho nadando,
        Atrás da mãe da sereia.
        
        Laranjeira, mãe do choro,
        Vinde me
ajudá chorá.
        O bem eu trago na vida,
        Esse me querem
tirá.

        A saudade é uma semente,
        Que por todo o mundo anda.
        Saudade, não me mateis,
        Vai
a matar quem te manda.

XARAZINHO

        
O Xarazinho (Sarazinho) é dançado por quatro pares, formando dois grupos de dois pares cada um. Formam-se assim pequenas rodas de quatro pessoas, sendo dois homens e duas mulheres. A dança é batida e não tem valsado. Em alguns lugares, como no rio dos Medeiros, os passos são os mesmos do Xará-Grande, que vai descrito adiante, inclusive o bailado.
        Colhemos os seguintes versos dessa dança:

        Na vera do rio deitei-me.
        Fiz travesseiro das mão.
        Sonhei que andava nadando
        No mar do teu coração.

        Peguei nesta violinha
        Pra
cantá um bocadinho.
        Pra vê se estes meus
peito
        Tão ainda saradinho.

        
Querê bem vai da fortuna,
        Fortuna vai de quem tem,
        Como eu fortuna não tenho,
        Não padeço por ninguém.

        Paranaguá, boa terra,
        Terra onde me criei.
        Não é em
farta de amores
        Que eu de lá me
arretirei.

        Uma luz não alumeia
        Uma sala e uma varanda,
        Como pode um coração
        Fazer o que não se manda.

        Cajueiro, cajueiro,
        Quem te deitará no chão?
        Em baixo das tuas ramas
        Foi a minha perdição.

XARÁ-GRANDE

        
No Xará-Grande, forma-se a roda, como já foi descrito, com homens e mulheres alternados. A roda gira da esquerda para a direita. A dança é batida e valsada. Em certos momentos, as mulheres viram-se de frente para os homens, como indica o Quadro B, e com seu braço direito erguido E seguram a mão do braço esquerdo F do homem, formando um arco E-F, sob o qual passam, como indica a linha G, indo ocupar o lugar da dama imediatamente anterior D. Em seguida, o cavalheiro C e a dama D dançam o valsado, mantendo-se mais ou menos dentro da sua posição na roda grande, cujo movimento não cessa. Esses movimentos são feitos simultaneamente por todos os pares. É assim o Xará-Grande uma marca de descanso, em que o batido é alternado com o bailado. De vez em quando os pares se cumprimentam, trocando um ligeiro aperto de mãos.
        Dessa dança, colhemos os seguintes versos:

        Não posso cantá mais,
        
Cantá como já cantei;
        De
bebê água de bruço,
        Que até de
falá mudei.

        Campo verde serenado,
        Coberto de serração.
        Pelos olhos eu conheço
        Quem me traz com má tenção.

QUEROMANA

        
A Queromana é também batida e valsada. Tem o passo do arco, que já foi descrito no Xará-Grande, e que está mais uma vez indicado no Quadro C. Logo em seguida ao arco, estando a mulher de frente para o homem, dão-se as mãos (esquerda do homem e direita da mulher), e os dois braços unidos balançam para um e outro lado, enquanto a roda vai caminhando. O desenho do Quadrado C esclarece os movimentos. Os batidos na Queromana são diferentes das outras marcas e mais difíceis. Segue-se uma seqüência de oitos igual à que vai descrita na Tonta (ver o Quadro desta dança), quando os oitos são feitos simultaneamente pelos três homens da roda e não por um de cada vez. A única diferença nesse passo, entre a Queromana e a Tonta, é que na Queromana as rodas não param enquanto vai sendo feito o oito, enquanto que na Tonta esse passo é feito com a roda parada e os dançarinos virados para o centro. A Queromana e a Tonta são as duas marcas mais difíceis do Fandango e são poucos os que sabem dançá-las.
        Os versos que colhemos são:

        Minha cabeça me dói,
        Meu corpo doença tem.
        Sarando minha cabeça,
        Meu corpo sara também.

        Quero
outra despedida,
        Atrás desta mais
argum.
        Quem tem um amor tem dois,
        Quem tem um, não tem nenhum.

        Lairilailai, queromana,
        Eu vou andando.
        O cavalo que eu vim nele
        Está no campo me esperando.

        Lairilailai, queromana,
        Queromana, estou querendo.
        De saudade ninguém morre,
        Triste de mim, vou morrendo.

        Lairilailai, queromana,
        Queromana, eu vou e vorto.
        Trato bem do que é meu,
        Que eu dos
outro não me importo.

        Queromana, eu vi
ovi (vi e ouvi)
        Meu amor no braço doutro;
        De paixão quase morri.

TONTA

        
A Tonta é dançada em rodas de seis, três homens e três mulheres, e às vezes de oito. É batida também, e não faltam as palmas marcando o ritmo. Só os homens, no entanto, batem palmas e sapateiam. As mulheres se caracterizam por uma completa displicência. Noutros lugares a Tonta é sinal de fim de festa. Significa despedida. É dançada já de manhã, quando o sol vem nascendo, e contém, nos versos, diversas referências ao sol. No Paraná, no entanto, são desconhecidos esses característicos.
        A Tonta se distingue por duas seqüências complicadas de oitos. Na primeira, cada folgador da roda, em separado, faz seus oitos. Na segunda, os três cavalheiros fazem os oitos simultaneamente. Convém observar que o caminho seguido nos oitos individuais é diferente do seguido nos oitos coletivos, conforme explica o Quadro D. A roda fica parada.
        O movimento do oito individual está explicado no Quadro D, figura A. O homem A parte por onde indica a seta E, contorna a mulher C, segue a flecha F, dá uma volta em torno da mulher B, contorna novamente a C, continua pela seta G, volteia a mulher D e volta ao seu lugar pela flecha H.
        O movimento do oito coletivo está explicado no Quadro D, Figura B. Os três homens simultaneamente fazem o movimento indicado pelo homem A. Ele parte pela flecha E, conorna a mulher B, segue a seta H, volteia a mulher D e atinge o seu lugar pela flecha I. O homem A faz assim dois "oitos", um inicial e um final, em torno das mulheres B-D que o ladeiam, dando uma volta, entre os dois oitos, em torno da mulher C, que lhe é fronteira. Esse mesmo passo é feito na Queromana, como ficou dito atrás. Os oitos são feitos sempre sob sapateado.
       

Recolhemos, da tonta, os versos que seguem:

 

 

Quando eu vim da minha terra,

 

 

Muita menina chorou.

 

 

Também eu chorei um pouco,

 

 

Por uma que lá ficou.

-

 

 

Passa, passa, passarinho

 

 

Co'bico n'água sem se molhá.

 

 

Se eu andei aqui sozinho,

 

 

Nào me acabe de matá.

-

 

 

Menina, passai a Tonta,

 

 

Tornai a Tonta passá.

 

 

Depois da Tonta passada,

 

 

Cada um no seu lugá.


        "Passar a Tonta" é fazer a seqüência dos oitos.

DONDOM

        
O Dondom é só valsado, do começo ao fim. Todos conversam o mesmo par.

CHAMARRITA

        
A Chimarrita ou Chamarrita, de origem açoriana, é também conhecida por "Limpa-banco", porque ninguém fica sem dançar (quando se trata de bailada). Existe a Chamarrita simples e a Chamarrita de oito. Esta última é dançada por oito pares, formando duas rodas de quatro pares cada uma. A Chamarrita de Oito é batida, enquanto que a simples não é; é apenas valsada. Todos conservam o mesmo par. Há também a Chamarrita de Quatro, quando é dançada por quatro pares. Pode ainda ser de Doze, Dezesseis, etc. A música é a mesma usada no bailado. O passo é o oito. Os homens e as mulheres, que ocupam lugares opostos na roda, trocam os lugares entre si, depois de, com mãos dadas a braços estendidos, formarem cruzes de braço no meio da roda.
        

Coletamos a seguinte letra da Chamarrita:

 

 

Chamarrita é moda nova,

 

 

Moda que veio do Rio.

 

 

Que os marinheiro trouxeram,

 

 

Na popinha do navio.

-

 

 

Vós que fostes e viestes

 

 

Do lado que ontem vim:

 

 

M'incontrei co'aquela ingrata.

 

 

Como ela passou sem mim!

-

 

 

Chamarrita, mecê não me qué,

 

 

Para mim não me falta mulhé.

 

 

Chamarrita, mecê não me ensina,

 

 

Para mim não me falta menina.

-

 

 

Chamarrita, mecê não me adora.

 

 

Quando eu canto, mecê chora.

ANDORINHA

        
A Andorinha é uma dança muito delicada e bonita, que poderia ser introduzida com êxito nos nossos salões. A linha melódica é mais definida. A dança é batida. Feita a roda, começa a mesma a girar, entre palmas e sapateados. Tem lugar então o passo do arco, já descrito em outras danças e que mais uma vez vai indicado no Quadro E. O braço direito E da dama B levanta-sa e, de mão dada, forma um arco com o braço esquerdo F do folgador A. A dama passa sob o arco, seguindo a linha indicada pela seta G, que vai postar-se no lugar indicado pela dama H. Formam-se assim dois círculos. Um maior, dos homens, e outro menor e interior, das mulheres. Braços erguidos, a dama H e o cavalheiro C continuam de mãos dadas, sempre o braço direito da dama com o esquerdo do cavalheiro, como está indicado pela linha K. Enquanto os homens andam sempre para a frente, fazendo a roda girar, as mulheres vão rodando como um pião, mas vagarosamente, sem largar da mão do seu par, no sentido indicado pela seta J. Esse rodopio das damas chama-se "fazer o verão" ou "rodopiar a andorinha".
 

 

 

Temos a letra que segue:


        Peguei nesta violinha,
        Nesta viola peguei.
        Quero
estes meus peito
        S'inda está como deixei.

        Neste mato não tem passarinho,
        Passarinho chamado andorinha.
        Andorinha voou, foi-se embora,
        Deixou os
óvo nos campo de fora.

        Tijiticá co'o bico no chão,
        Pomba rola arrancando feijão.
        Hoje te darei meu
ólho,
        Amanhã meu coração.

CANA-VERDE

A Cana-Verde é, a meu ver, a mais alegre, a mais agradável e a mais interessante das marcas do Fandango. Em alguns lugares é usada para fechar o Fandango. É evidentemente reminiscência da Caninha-Verde, de Portugal, embora já não tenha com ela nennhuma afinidade, senão no nome. A Cana-Verde é dançada em rodas de quatro, dois homens e duas mulheres. A sala enche-se de rodinhas. As rodas da Cana-Verde distinguem-se das outras do Fandango, porque todos estào de mãos dadas (o que às vezes também não acontece). A primeira posição é a indicada no Quadro F, Figura A: a roda fechada.A roda gira primeiro num sentido, depois no outro. Em seguida, as duas folgadeiras se aproximam, como está indicado na Figura B, afastando-se logo, para então os homens se aproximarem, como na figura D, e se afastarem novamente. Isso várias vezes sucessivamente.

O segundo passo da Cana-Verde é difícil de explicar e de representar graficamente. Nele a alegria atinge o seu apogeu. Este passo está representado na Figura C e, melhor ainda, no Quadro G. Nele a roda de quatro se desmancha. A mulher A da Figura D dá sua mão direita à esquerda do homem C da mesma Figura e giram no sentido indicado pela flecha. Quando a mulher A da Figura D passa perto do homem B da Figura C, larga a mão do seu par e dá a sua esquerda à direita do homem B, girando agora com ele, no sentido indicado pela flecha. Ao mesmo tempo em que a mulher A da Figura D troca de par, o homem C da mesma Figura deve estar passando perto da mulher D da Figura B. Dá a mão esquerda à sua direita e roda com ela, no sentido da flecha.

Quando a mulher A da Figura C passa novamente junto do homem C da Figura D, larga do seu par e volata para ele. A mesma coisa faz o homem C da Figura B, quando passa perto da mulher A da Figura D. De maneira que a mulher A faz um círculo ora com o homem C na Figura D, ora com o homem B na Figura C. O homem C da Figura D, por sua vez, ora faz o círculo com a mulher A da Figura D, ora com a mulher D da Figura B. De maneira que continuam as mesmas quatro pessoas, porém trocando de par a cada giro e girando cada uma em dois lugares diferentes (um giro em cada um). A mesma coisa que foi explicado com relação à mulher A e ao homem C na Figura D, fazem o homem B e a mulher D da Figura A.


        
A letra da Cana-Verde, que colhemos, é a seguinte:

 

 

 

Cana-Verde, Cana-Verde,

 

 

 

Cana do Canavial,

 

 

 

Que me chama Cana-Verde

 

 

 

Me qué bem, não me qué mal.

-

 

 

 

Quando eu era pequeninho,

 

 

 

Que pelo mato andava,

 

 

 

Todas folha que caía,

 

 

 

Os passarinho voava.

-

 

 

 

Abaixai-vos, serra-verde,

 

 

 

Que eu quero ver a cidade.

 

 

 

Quero ver o meu amor,

 

 

 

Senào morro de saudade.

        O rodopio do segundo passo da Cana-Verde faz-se em velocidade cada vez maior, saltando e pulando, até terminar de forma estonteante.

MARINHEIRO

        
O Marinheiro, também chamado Colorinda, é dança batida, mas de coreografia delicada e graciosa. A roda vai girando. A certa altura faz-se o passo do arco, já explicado em outras danças. Logo que a folgadeira atinge o lugar que era ocupado pela anterior, levanta os dois braços, até um pouco acima dos ombros, com as mãos espalmadas para cima a os dedos recurvos. O folgador que vem atrás prende ali os seus dedos, e nessa posição dançam, valsando, sem sair da roda. Terminado esse passo, segue-se o oito já descrito. O Quadro H explica o passo: a mulher A passa pelo arco E e vai colocar-se no lugar da mulher C, pondo os braços na posição indicada. O homem D estende os braços para a frente, até pegar a mão da sua dama no ponto G.

Letra:

 

 

 

Marinheiro me leva,

 

 

 

Para a barca de vela.

 

 

 

A bonita açucena

 

 

 

É de cravo e canela.

-

 

 

 

Peguei nesta violinha

 

 

 

Com toda as minhas pena.