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DANÇA
GAÚCHA E INFLUÊNCIAS
As
gaúchas são as mais coreográficas danças brasileiras e são marcadas
pela influência das culturas espanhola, portuguesa e
francesa. As danças gaúchas estão impregnadas do
verdadeiro sabor campesino do Rio Grande do Sul; são legítimas
expressões da alma gauchesca. Em todas elas está
presente o espírito de fidalguia e de respeito à mulher,
que sempre caracterizou o campesino riograndense. Ás
vezes, também, a dança gaúcha é caracterizada por
movimentos e sapateados fortes e até violentos. Em seus
volteios exige grande esforço dos dançarinos, chegando
em alguns casos, apresentar-se como um desafio de perícia,
agilidade e audácia.
ANÚ
Dança
típica do fandango gaúcho, o Anú divide-se em duas
partes totalmente distintas: uma parte cantada e outra
sapateada. Aproxima-se bastante da “quero-mana”,
principalmente pelo passeio cerimonioso que os pares
realizam. O período em que o Anú gozou de maior
popularidade, no Rio Grande do Sul, foi em meados do século
passado. A partir daí , tal como ocorreu com as demais
danças do fandango, foi cedendo lugar às danças de
conjunto que surgiam, ou se amoldou às características
dessa nova geração coreográfica: daí haverem surgido
variantes como o Anú de cadena, com nítida influência
das danças platinas sob o comando. O Anú é legítima
dança de pares soltos, mas não independentes. É dança
grave (na parte cantada e nos passos cerimoniosos) mas ao
mesmo tempo viva e algo pantomímica (na parte sapateada e
nas evoluções que os homens apresentam). Há um marcante
que ordena as figuras e sapateados. Cada figura pode ser
mandada repetir pelo marcante, à voz de “outra vez que
ainda não vi”.
BALAIO
O
Balaio é brasileiro da gema e procede do nordeste,
assevera Augusto Meyer em seu guia do folclore gaúcho. Do
ponto de vista musical, o balaio guarda nitidamente a feição
de nossos velhos Lundús, aqueles mesmos que criaram no
nordeste do Brasil, o baião. Nas estrofes de seu canto,
outrossim, o Balaio relembra quadrilhas dos sertanejos, não
faltando siquer um redundante “não quero balaio, não”
bem estranho ao linguajar gauchesco. Constitui uma dança
bastante popular em toda a campanha do Rio Grande do Sul.
O nome Balaio origina-se do aspecto de cesto que as
prendas dão a suas saias, quando o cantador diz: “moça
que não tem balaio, bota a costura no chão”. A esta última
voz, as prendas giram rapidamente sobre os calcanhares e
se abaixam, fazendo com que o vento se embolse nas saias.
O Balaio, tal como se tornou popular no Rio Grande do Sul,
apresenta uma simbiose bastante curiosa, realmente
excepcional. Trata-se de dança sapateada, e ao mesmo
tempo, dança de conjunto. A coreografia divide-se em duas
partes (que correspondem às duas partes do canto): o
sapateio e o girar de duas rodas concêntricas, constituídas
por homens e outra por mulheres. O sapateio é uma decorrência
das danças sapateadas puras, de pares soltos e
independentes. A formação de rodas que giram é originária
da conhecidíssima figura da quadrilha “dames ao milieu,
chevaliers ao tour”, a qual se encontra presente em danças
regionais de todo o mundo ocidental.
CANA
VERDE
A
Cana Verde chegou de Portugal e se tornou popular em vários
estados brasileiros. Naturalmente foi adquirindo cores
locais, em cada região e desta forma produzindo variantes
da dança-origem. A coreografia apresentada pelo grupo
Aruanda é a mais difundida no nordeste e litoral do Rio
Grande do Sul.
CARANGUEJO
Esta
dança já foi popular em todo o País, porém,
atualmente, concentrou-se no Sul. A sua coreografia
apresenta-se por cumprimentos entre os dançarinos
e balanceios; evolução originária da quadrilha européia.
CHIMARRITA
Dança
popular em Açores, Portugal. Trazida pelos açorianos na
metade do século XIX. Nos países platinos é conhecida
por Chamané. No Rio Grande do Sul é conhecida também
por limpa banco,pois ninguém consegue ficar sentado ao
ouvir a sua melodia. Inicialmente era uma dança de pares
enlaçados, com influências dos xotes e das valsas.
Atualmente os pares dançam soltos, ora numa direção ora
noutra, em filas e me roda. Em outros momentos executam
passos de polca, bailando juntos.
CHIMARRITA
ALAZÃO
Quando
os colonos açorianos, na Segunda metade do século XVIII,
trouxeram ao Rio Grande do Sul a “Chimarrita”, esta
dança era então popular no arquipélago do Açores e na
ilha da madeira. Desde a sua chegada a este estado do sul,
a “Chimarrita” foi se amoldando às subseqüentes gerações
coreográficas e chegou mesmo a adotar em princípios de
nosso século a forma de dança de pares enlaçados, como
um misto de valsa e xotes. Do Rio Grande do Sul, (e de
Santa Catarina), a dança passou ao Paraná, ao estado de
São Paulo, bem como às províncias argentinas de
Corrientes e Entre-Rios, onde ainda hoje são populares as
variantes “Chimarrita” e “Chamané”. A corruptela
chimarrita foi a denominação mais usual dessa dança,
entre os campeiros do sul. Em seu feitio tradicional, a
Chimarrita é dança de pares em fileiras opostas. As
fileiras se cruzam, se afastam em direções contrárias e
tornam a se aproximar, lembrando as evoluções de certas
danças tipicamente portuguesas.
CHIMARRITA
BALÃO
A
Chimarrita balão, é conhecida somente no litoral norte e
planalto nordeste do Rio Grande do Sul. Balão foi uma dança
bastante vulgarizada em Portugal no século passado, e
teve, no Brasil variantes como o Balão faceiro. Não
existe, a não ser na denominação, a mínima semelhança
entre a Chimarrita balão e a tradicional Chimarrita. Esta
dança é de pares independentes. Apresenta uma simbiose
curiosa, pois engloba duas gerações coreográficas
extremamente distintas: é dança de pares enlaçados
(geração que se vulgarizou entre os latinos somente a
partir do século passado), e, ao mesmo tempo, dança
sapateada (tal geração atingiu o auge da popularidade
entre os latinos, no século XVIII).
CHULA
Dança
em desafio, praticada apenas por homens. A chula tem
bastante semelhança com o lundu sapateado, encontrado em
outros Estados brasileiros. No sul, uma vara de madeira
denominada lança e medindo cerca de 4 metros de
comprimento é colocada no chão, como dois ou três dançarinos
dispostos cada um em suas extremidades. Ao som da gaita gaúcha,
executam diferentes sapateados, avançando e recuando
sobre as mesmas. Após cada seqüência realizada, o outro
dançarino deverá repeti-la e em seguida realizar uma
nova seqüência, geralmente mais complicada que a do seu
parceiro. Assim, vencerá o dançarino que perder o ritmo,
encostar na vara ou não conseguir realizar a seqüência
coreográfica desafiada pelo anterior.
MAÇANICO
Essa
dança por suas características coreográficas parece ser
portuguesa. Com o nome de Maçanico, surgiu no Estado de
Santa Catarina e daí passou ao nordeste e litoral do Rio
Grande do Sul. O nome constitui uma corruptela de maçarico,
ave do sul do País.
PEZINHO
O
Pezinho constitui uma das mais simples e ao mesmo tempo
uma das mais belas danças gaúchas. A melodia do Pezinho,
muito popular em Portugal e nos Açores, veio a gozar de
intensa popularidade no litoral dos estados brasileiros de
Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre os gaúchos, a música
do Pezinho amoldou-se à instrumentação típica, e
adquiriu, graças a cordiona, mais vivacidade e alegria,
ao mesmo tempo em que a coreografia se amoldou ao espírito
da gente do litoral riograndense. É necessário frizar
que o Pezinho é a única dança popular riograndense em
que todos os dançarinos obrigatoriamente cantam, não se
limitando portanto, a simples execução da coreografia. O
Pezinho pertence a uma geração coreográfica especial,
que se apresenta duas figuras características: na
primeira figura, há uma marcação de pés e na
segunda, os pares giram em redor de si próprios, tomados
pelo braço. Desta forma o Pezinho riograndense é irmão
da Raspa mexicana, do Chilbelri francês, do Herr-schimidt
alemão, etc...Em relação à sua estouvada irmã
mexicana e a seus robustos e desatinados irmãos europeus,
o Pezinho sobressai pela ingenuidade com que fala e com
que age. Sua ingenuidade e sua ternura é que fizeram a
dança predileta dos tradicionalistas riograndenses.
TIRANA
DO LENÇO
A
Tirana do Lenço denota sua integração na região
coreográfica das danças sapateadas, de par solto, não só
pelos passos e sapateados, como principalmente pela mímica
amorosa que caracterizou tal geração e que se resume num
movimento de aproximação, fuga e encontro final dos dois
dançarinos. Essa, era executada normalmente por um casal
de dançarinos, mais as vezes por dois ou mais pares;
nesse caso , então as figuras se sucediam sob o comando,
de modo a guardar a uniformidade original.. Um dos
elementos marcantes desta dança é o lenço, usado tanto
pels homens como pelas prendas.
XOTE
CARREIRINHA
Coreograficamente
o Chote guardou de modo geral os passos da dança de
origem, mas se enriqueceu de uma série de
variantes- peculiares a determinados municípios rio-
grandenses onde todos executam os mesmos
movimentos ao mesmo tempo.
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FANDANGO
NO PARANÁ
O
Fandango, no Paraná, é uma festa típica dos caboclos e
pescadores habitantes da faixa litorânea do Estado, na
qual se dançam várias danças regionais, denominadas
marcas do Fandango.
Temos
registrado perto de trinta marcas diferentes, e muitas
outras existem ainda, própriasde cada região em que se
dança o Fandango. As que temos anotado são as seguintes:
Anu, Xarazinho, Xará-Grande, Queromana, Tonta, Dondon,
Chamarrita, Andorinha, Cana-Verde, Marinheiro,
Carangueijo, Violão-de-Fita, Meia-Canja, Chico,
Tiraninha, Lageana, Passeado, Feliz, Serrana, Sabiá,
Recortado, Caradura, Sapo, Tatu, Porca, Estrala, Pipoca,
Mangelicão, Coqueiro, Pega-fogo e outras, umas conhecidas
em certas zonas e outras, noutras.
As
danças se dividem em dois grupos: as batidas e as
valsadas ou bailadas. As primeiras se caracterizam pelo
sapateado forte, barulhento, batido a tamanco ou sapato.
Abafam quase completamente a música do conjunto. Esse
bater do tamanco se chama em alguns lugares rufar.
Nas segundas não há sapateado. São uma espécie de
valsa lenta, em que cada dançarinobaila em geral com o
mesmo par, mais se arrastando do que dançando.
As
marcas valsadas são intercaladas entre as batidas, para
descanso dos bailarinos, intercalando-se geralmente uma
valsada depois de duas ou três batidas. O sapateado
batido a tamanco, com a violência com que é usado, é um
exercício exaustivo, que deixa os dançarinos do Fandango
tresandando a suor e com a camisa alagada. É conhecido,
no Balneário de Caiobá, o sr. Machadinho, cujo pai tomou
o nome de Machado, porque, com a força com que batia o
Fandango, quebrava as tábuas do soalho. Os Fandangos são
dançados sempre em recinto fechado, isto é, dentro de
casa, e onde o chão seja de madeira, de modo que haja a
devida ressonância do batido.
O
sapateado é feito exclusivamente pelos homens. As
mulheres não batem no Fandango.
Em
Serra Negra, no Rio dos Medeiros e em outros pontos da Baía
de Paranaguá, o Fandango é dançado em cima do arroz, a
fim de "tirá-lo do casco". A isso se chama
"fazer gambá". Alia-se assim ao Fandango uma
função econômica, altamente proveitosa.
Não
há comando que oriente o desenrolar da coreografia. Os
dançarinos seguem a música, aliando à sua execução
uma série de convenções sabidas por todos e aprendidas
em casa desde crianças.
O
ritmo da dança, nos valsados, é diferente do ritmo da música,
sendo este último bem mais rápido. Aliás, toda a música
do Fandango é quase só ritmo. A linha melódica é muito
indeterminada e por vezes imperceptível.
A
única voz de comando que se ouve no Fandango é dada como
sinal para indicar o fim de qualquer marca: ô de casa!
- gritada por um dos violeiros. A esse grito as
mulheres saem da roda e os homens batem o arremate.
As
marcas batidas, embora se componham de partes batidas e
valsas, terminam sempre no batido, com um batido forte, uníssono,
dado simultaneamente por todos os bailarinos.
Antes
do início do Fandango ou nos intervalos das marcas,
geralmente os cavalheiros batem sapateando pela sala, sem
música, por sua própria conta, com fim de convidar,
influir e chamar as damas, e, ao mesmo tempo, provocar o
início da dança.
O
Fandango é dançado em toda faixa litorânea do Paraná,
mesmo ao pé da Serra do Mar e já bastante afastado,
portanto, das praias, como em Morretes e Porto de Cima. Na
zona praieira, conserva-se nos melhor nos locais distantes
dos balneários e das cidades, ainda não atingidos pela
civilização: como o Pontal do Sul, na Praia de Leste; a
barra do rio Guaraguaçu; o Rio dos Medeiros; a Serra
Negra, etc. Nas zonas balneáreas, como Matinhos, Caiobá
e Guaratuba, já perdeu muito dos seus característicos.
O
Fandango tem, no Paraná, uma vitalidade e uma pureza
raras, embora a tendência, em nossos dias, seja para o
seu total desaparecimento, dentro de mais duas ou três
gerações. Os que mantêm a tradição do Fandango vívida
e pura são os velhos e os homens feitos. Os jovens da
nova geração já não querem dançar o Fandango,
sentem-se envergonhados e preferem as danças modernas.
É
usual o emprego da expressão folgadeira para
designar as mulheres que participam do Fandango. Os homens
são folgadores. Aliás, é de se ver a atitude apática
e indiferente das mulheres, andando molemente, com as mãos
metidas nos bolsos dos casacos, sem trejeitos nem
requebrados. Fisionomias absolutamente inexpressivas. O
seu entusiasmo pela dança, que é sincero, não se
manifesta absolutamente no exterior.
INSTRUMENTOS
MUSICAIS
O
acompanhamento do Fandango é feito por um pequeno
conjunto musical, constituído de uma ou duas violas, uma
rabeca e um adufo (pandeiro). Os músicos cantam junto com
a música, mas os que dançam não cantam. Por vezes o
violeiro não se contenta com tocar e cantar, mas ainda
bate, braceia, valsa e larga a viola para bater palmas. Na
letra, encontram-se décimas tradicionais, conhecidas em
outros estados e em Portugal. Uma parte, porém, é
improvisação de momento, que vai brotando espontânea da
alma dos violeiros.
A
viola tem geralmente seis cordas (às vezes sete),
incluindo a meia-corda, chamada turina. É construída
pelos próprios pescadores, de uma madeira denominada
cacheta, com requintes de acabamento artístico. A
cacheta é uma árvore grande e grossa, útil para construção,
e que não é afetada pelo cupim. No corpo da viola fazem
incrustações de canela ou imbuia, representando
pombinhas e desenhos geométricos.
A
rabeca tem três cordas (às vezes quatro) e é também
feita de cacheta, tendo o braço e o arco de canela preta
ou cedro. O sedenho do arco é feito de crina de
rabo de cavalo ou mesmo de fio de linha.
O
adufo é coberto com couro de cutia ou mangueiro (cachorro
do mangue), sendo de salientar a superioridade do couro de
cutia.
O
fandango começa ao anoitecer, sete ou oito horas, e só
termina de manhã, depois do sol nascido. É comum dançarem
a noite de sábado para domingo, descansarem durante o
dia, e recomeçarem à noite, de domingo para segunda,
emendando assim duas noites consecutivas. No carnaval, o
Fandango se estende por 3 ou 4 noites seguidas,
estabelecendo-se mesmo uma porfia, entre dois ou três
conjuntos, para ver qual o que agüenta até o amanhecer.
Bebidas, comidas, desafios de cantadores, por eles
conhecidos como profias (porfias), enchem os
intervalos nas noites de Fandango.
Errar
no Fandango é fazer balaio, e desfeita faz a folgadeira
que se recusa a dançar.
O
passo característico do Fandango, e que entra em quase
todas as marcas, é o oito. O cavalheiro, dançando,
descreve um oito, tendo por centro dos dois círculos as
duas folgadeiras que se encontram à sua frente e atrás
de si, na roda.
É
interessante observar-se, tanto no Fandango como em outras
festas populares, a força de absorção da terra, o poder
tremendo de assimilação que o meio exerce sobre o homem.
No local denominado Balneário, na Praia de Leste,
encontramos, como mestre de Fandango, o senhor João Cláudio
Gilier, filho de franceses e todo ele de aspecto gaulês.
Da mesma forma, em Morro Grande, município de Cerro Azul,
encontramos um Schleder comandando a Dança de São Gonçalo.
Nas
diversas marcas do Fandango, sente-se, quer nos batidos,
quer nas palmas (sempre batidas nos intervalos do
sapateado), a influência viva de Portugal e Espanha.
Os
textos musicais que se seguem, tomados uns na Colônia de
Pescadores da Costeirinha, na barra do rio Guaraguaçu
(Município de Paranaguá), outros na Colônia de
Pescadores do Pontal do Sul, na Praia Leste, também no
Município de Paranaguá, representam apenas a linha melódica
do canto. O grupo do Pontal do Sul desenvolve na perte
instrumental, sobretudo a rabeca, uma outra frase melódica,
em contraponto, não registrada neste trabalho. Este
grupo, melhor na afirmação e na parte instrumental de um
modo geral, tem um mais pronunciado sabor de primitivismo,
que encanta e atrai pela sua ingenuidade.
MARCAS
ANU
Geralmente
a marca que abre o Fandango é o Anu. Nessa dança os
homens e mulheres, alternados, formam uma grande roda. É
dança batida, mas só os homens sapateiam, como, aliás,
acontece com todas. Os tamancos batem fortes no chão, uníssonos,
numa cadência perfeita e difícil. A roda vai girando.
Nos intervalos do sapateado, as palmas substituem o
batido. O passo principal do Anu é o oito. Os homens
descrevem simultaneamente um oito, tendo por centro dos
dois círculos as damas que os ladeiam. Isso durante o
batido e sem interrompê-lo. Antes de cada oito, as
mulheres se voltam para trás e dão sua mão direita à
esquerda do homem, com os braços levantados, formando um
arco, por baixo do qual passam, indo portanto ocupar o
lugar da dama anterior.
A letra
que colhemos é a seguinte:
O anu
é passo preto,
Passarinho
do verão,
Qundo
canta meia-noite,
Alegra meu
coração.
Meu senhô,
dono de casa,
Minha fita
de nobreza,
Pra cantá
em sua casa,
Canto com
delicadeza.
Me sentei
neste banquinho,
Com este
pinho na mão,
Quero dá
um viva alegre,
Meu sinhô
e cidadão.
Vem o
cisco da enchente,
A maré
trazendo areia,
Vem os peixinho
nadando,
Atrás da
mãe da sereia.
Laranjeira,
mãe do choro,
Vinde me ajudá
chorá.
O bem
eu trago na vida,
Esse me
querem tirá.
A
saudade é uma semente,
Que por
todo o mundo anda.
Saudade, não
me mateis,
Vai a matar
quem te manda.
XARAZINHO
O
Xarazinho (Sarazinho) é dançado por quatro pares,
formando dois grupos de dois pares cada um. Formam-se
assim pequenas rodas de quatro pessoas, sendo dois homens
e duas mulheres. A dança é batida e não tem valsado. Em
alguns lugares, como no rio dos Medeiros, os passos são
os mesmos do Xará-Grande, que vai descrito adiante,
inclusive o bailado.
Colhemos
os seguintes versos dessa dança:
Na vera
do rio deitei-me.
Fiz
travesseiro das mão.
Sonhei que
andava nadando
No mar do
teu coração.
Peguei
nesta violinha
Pra cantá
um bocadinho.
Pra vê se
estes meus peito
Tão ainda
saradinho.
Querê
bem vai da fortuna,
Fortuna
vai de quem tem,
Como eu
fortuna não tenho,
Não padeço
por ninguém.
Paranaguá,
boa terra,
Terra onde
me criei.
Não é em
farta de amores
Que eu de
lá me arretirei.
Uma luz
não alumeia
Uma
sala e uma varanda,
Como pode
um coração
Fazer o
que não se manda.
Cajueiro,
cajueiro,
Quem te
deitará no chão?
Em baixo
das tuas ramas
Foi a
minha perdição.
XARÁ-GRANDE
No Xará-Grande,
forma-se a roda, como já foi descrito, com homens e
mulheres alternados. A roda gira da esquerda para a
direita. A dança é batida e valsada. Em certos momentos,
as mulheres viram-se de frente para os homens, como indica
o Quadro B, e com seu braço direito erguido E seguram
a mão do braço esquerdo F do homem, formando um
arco E-F, sob o qual passam, como indica a linha G,
indo ocupar o lugar da dama imediatamente anterior D. Em
seguida, o cavalheiro C e a dama D dançam o
valsado, mantendo-se mais ou menos dentro da sua posição
na roda grande, cujo movimento não cessa. Esses
movimentos são feitos simultaneamente por todos os pares.
É assim o Xará-Grande uma marca de descanso, em que o
batido é alternado com o bailado. De vez em quando os
pares se cumprimentam, trocando um ligeiro aperto de mãos.
Dessa dança,
colhemos os seguintes versos:
Não
posso cantá mais,
Cantá
como já cantei;
De bebê
água de bruço,
Que até
de falá mudei.
Campo
verde serenado,
Coberto de
serração.
Pelos
olhos eu conheço
Quem me
traz com má tenção.
QUEROMANA
A
Queromana é também batida e valsada. Tem o passo do
arco, que já foi descrito no Xará-Grande, e que está
mais uma vez indicado no Quadro C. Logo em seguida
ao arco, estando a mulher de frente para o homem, dão-se
as mãos (esquerda do homem e direita da mulher), e os
dois braços unidos balançam para um e outro lado,
enquanto a roda vai caminhando. O desenho do Quadrado C
esclarece os movimentos. Os batidos na Queromana são
diferentes das outras marcas e mais difíceis. Segue-se
uma seqüência de oitos igual à que vai descrita na
Tonta (ver o Quadro desta dança), quando os oitos são
feitos simultaneamente pelos três homens da roda e não
por um de cada vez. A única diferença nesse passo, entre
a Queromana e a Tonta, é que na Queromana as rodas não
param enquanto vai sendo feito o oito, enquanto que na
Tonta esse passo é feito com a roda parada e os dançarinos
virados para o centro. A Queromana e a Tonta são as duas
marcas mais difíceis do Fandango e são poucos os que
sabem dançá-las.
Os versos
que colhemos são:
Minha
cabeça me dói,
Meu corpo
doença tem.
Sarando
minha cabeça,
Meu corpo
sara também.
Quero dá
outra despedida,
Atrás
desta mais argum.
Quem
tem um amor tem dois,
Quem tem
um, não tem nenhum.
Lairilailai,
queromana,
Eu vou
andando.
O cavalo
que eu vim nele
Está no
campo me esperando.
Lairilailai,
queromana,
Queromana,
estou querendo.
De saudade
ninguém morre,
Triste de
mim, vou morrendo.
Lairilailai,
queromana,
Queromana,
eu vou e vorto.
Trato bem
do que é meu,
Que eu dos
outro não me importo.
Queromana,
eu vi ovi (vi e ouvi)
Meu amor
no braço doutro;
De paixão
quase morri.
TONTA
A
Tonta é dançada em rodas de seis, três homens e três
mulheres, e às vezes de oito. É batida também, e não
faltam as palmas marcando o ritmo. Só os homens, no
entanto, batem palmas e sapateiam. As mulheres se
caracterizam por uma completa displicência. Noutros
lugares a Tonta é sinal de fim de festa. Significa
despedida. É dançada já de manhã, quando o sol vem
nascendo, e contém, nos versos, diversas referências ao
sol. No Paraná, no entanto, são desconhecidos esses
característicos.
A Tonta se
distingue por duas seqüências complicadas de oitos. Na
primeira, cada folgador da roda, em separado, faz seus
oitos. Na segunda, os três cavalheiros fazem os oitos
simultaneamente. Convém observar que o caminho seguido
nos oitos individuais é diferente do seguido nos oitos
coletivos, conforme explica o Quadro D. A roda fica
parada.
O
movimento do oito individual está explicado no Quadro D,
figura A. O homem A parte por onde
indica a seta E, contorna a mulher C, segue
a flecha F, dá uma volta em torno da mulher B,
contorna novamente a C, continua pela seta G,
volteia a mulher D e volta ao seu lugar pela flecha
H.
O
movimento do oito coletivo está explicado no Quadro D,
Figura B. Os três homens simultaneamente fazem o
movimento indicado pelo homem A. Ele parte pela
flecha E, conorna a mulher B, segue a seta H,
volteia a mulher D e atinge o seu lugar pela flecha
I. O homem A faz assim dois
"oitos", um inicial e um final, em torno das
mulheres B-D que o ladeiam, dando uma volta, entre
os dois oitos, em torno da mulher C, que lhe é
fronteira. Esse mesmo passo é feito na Queromana, como
ficou dito atrás. Os oitos são feitos sempre sob
sapateado.
Recolhemos,
da tonta, os versos que seguem:
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Quando eu vim da
minha terra,
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Muita menina
chorou.
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Também eu
chorei um pouco,
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Por uma que lá
ficou.
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Passa, passa,
passarinho
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Co'bico n'água
sem se molhá.
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Se eu andei aqui
sozinho,
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Nào me acabe de
matá.
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Menina, passai a
Tonta,
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Tornai a Tonta passá.
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Depois da Tonta
passada,
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Cada um no seu lugá.
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"Passar
a Tonta" é fazer a seqüência dos oitos.
DONDOM
O
Dondom é só valsado, do começo ao fim. Todos conversam
o mesmo par.
CHAMARRITA
A
Chimarrita ou Chamarrita, de origem açoriana, é também
conhecida por "Limpa-banco", porque ninguém
fica sem dançar (quando se trata de bailada). Existe a
Chamarrita simples e a Chamarrita de oito. Esta última é
dançada por oito pares, formando duas rodas de quatro
pares cada uma. A Chamarrita de Oito é batida, enquanto
que a simples não é; é apenas valsada. Todos conservam
o mesmo par. Há também a Chamarrita de Quatro, quando é
dançada por quatro pares. Pode ainda ser de Doze,
Dezesseis, etc. A música é a mesma usada no bailado. O
passo é o oito. Os homens e as mulheres, que ocupam
lugares opostos na roda, trocam os lugares entre si,
depois de, com mãos dadas a braços estendidos, formarem
cruzes de braço no meio da roda.
Coletamos a seguinte
letra da Chamarrita:
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Chamarrita é
moda nova,
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Moda que veio do
Rio.
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Que os marinheiro
trouxeram,
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Na popinha do
navio.
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Vós que fostes
e viestes
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Do lado que
ontem vim:
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M'incontrei
co'aquela ingrata.
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Como ela passou
sem mim!
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Chamarrita, mecê
não me qué,
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Para mim não me
falta mulhé.
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Chamarrita, mecê
não me ensina,
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Para mim não me
falta menina.
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- |
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Chamarrita, mecê
não me adora.
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Quando eu canto,
mecê chora.
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ANDORINHA
A
Andorinha é uma dança muito delicada e bonita, que
poderia ser introduzida com êxito nos nossos salões. A
linha melódica é mais definida. A dança é batida.
Feita a roda, começa a mesma a girar, entre palmas e
sapateados. Tem lugar então o passo do arco, já descrito
em outras danças e que mais uma vez vai indicado no
Quadro E. O braço direito E da dama B levanta-sa
e, de mão dada, forma um arco com o braço esquerdo F do
folgador A. A dama passa sob o arco, seguindo a
linha indicada pela seta G, que vai postar-se no
lugar indicado pela dama H. Formam-se assim dois círculos.
Um maior, dos homens, e outro menor e interior, das
mulheres. Braços erguidos, a dama H e o cavalheiro
C continuam de mãos dadas, sempre o braço direito
da dama com o esquerdo do cavalheiro, como está indicado
pela linha K. Enquanto os homens andam sempre para
a frente, fazendo a roda girar, as mulheres vão rodando
como um pião, mas vagarosamente, sem largar da mão do
seu par, no sentido indicado pela seta J. Esse
rodopio das damas chama-se "fazer o verão" ou
"rodopiar a andorinha".
Peguei
nesta violinha,
Nesta
viola peguei.
Quero vê
estes meus peito
S'inda está
como deixei.
Neste mato
não tem passarinho,
Passarinho
chamado andorinha.
Andorinha
voou, foi-se embora,
Deixou os óvo
nos campo de fora.
Tijiticá
co'o bico no chão,
Pomba rola
arrancando feijão.
Hoje te
darei meu ólho,
Amanhã
meu coração.
CANA-VERDE
A
Cana-Verde é, a meu ver, a mais alegre, a mais agradável
e a mais interessante das marcas do Fandango. Em alguns
lugares é usada para fechar o Fandango. É evidentemente
reminiscência da Caninha-Verde, de Portugal, embora já não
tenha com ela nennhuma afinidade, senão no nome. A
Cana-Verde é dançada em rodas de quatro, dois homens e
duas mulheres. A sala enche-se de rodinhas. As rodas da
Cana-Verde distinguem-se das outras do Fandango, porque
todos estào de mãos dadas (o que às vezes também não
acontece). A primeira posição é a indicada no Quadro F,
Figura A: a roda fechada.A roda gira primeiro num
sentido, depois no outro. Em seguida, as duas folgadeiras
se aproximam, como está indicado na Figura B,
afastando-se logo, para então os homens se aproximarem,
como na figura D, e se afastarem novamente. Isso várias
vezes sucessivamente.
O
segundo passo da Cana-Verde é difícil de explicar e de
representar graficamente. Nele a alegria atinge o seu
apogeu. Este passo está representado na Figura C
e, melhor ainda, no Quadro G. Nele a roda de quatro
se desmancha. A mulher A da Figura D dá sua
mão direita à esquerda do homem C da mesma Figura
e giram no sentido indicado pela flecha. Quando a mulher A
da Figura D passa perto do homem B da Figura
C, larga a mão do seu par e dá a sua esquerda à
direita do homem B, girando agora com ele, no
sentido indicado pela flecha. Ao mesmo tempo em que a
mulher A da Figura D troca de par, o homem C
da mesma Figura deve estar passando perto da mulher D da
Figura B. Dá a mão esquerda à sua direita e roda
com ela, no sentido da flecha.
Quando
a mulher A da Figura C passa novamente junto
do homem C da Figura D, larga do seu par e
volata para ele. A mesma coisa faz o homem C da
Figura B, quando passa perto da mulher A da
Figura D. De maneira que a mulher A faz um círculo
ora com o homem C na Figura D, ora com o
homem B na Figura C. O homem C da
Figura D, por sua vez, ora faz o círculo com a
mulher A da Figura D, ora com a mulher D
da Figura B. De maneira que continuam as mesmas
quatro pessoas, porém trocando de par a cada giro e
girando cada uma em dois lugares diferentes (um giro em
cada um). A mesma coisa que foi explicado com relação à
mulher A e ao homem C na Figura D,
fazem o homem B e a mulher D da Figura A.
A
letra da Cana-Verde, que colhemos, é a seguinte:
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Cana-Verde,
Cana-Verde,
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Cana do
Canavial,
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Que
me chama Cana-Verde
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Me qué
bem, não me qué mal.
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Quando eu era
pequeninho,
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Que pelo mato
andava,
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Todas folha que
caía,
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Os passarinho
voava.
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Abaixai-vos,
serra-verde,
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Que eu quero ver
a cidade.
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Quero ver o meu
amor,
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Senào morro de
saudade.
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O
rodopio do segundo passo da Cana-Verde faz-se em
velocidade cada vez maior, saltando e pulando, até
terminar de forma estonteante.
MARINHEIRO
O
Marinheiro, também chamado Colorinda, é dança batida,
mas de coreografia delicada e graciosa. A roda vai
girando. A certa altura faz-se o passo do arco, já
explicado em outras danças. Logo que a folgadeira atinge
o lugar que era ocupado pela anterior, levanta os dois braços,
até um pouco acima dos ombros, com as mãos espalmadas
para cima a os dedos recurvos. O folgador que vem atrás
prende ali os seus dedos, e nessa posição dançam,
valsando, sem sair da roda. Terminado esse passo, segue-se
o oito já descrito. O Quadro H explica o passo: a
mulher A passa pelo arco E e vai colocar-se
no lugar da mulher C, pondo os braços na posição
indicada. O homem D estende os braços para a
frente, até pegar a mão da sua dama no ponto G.
Letra:
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Marinheiro me
leva,
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Para a barca de
vela.
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A bonita açucena
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É de cravo e
canela.
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Peguei nesta
violinha
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Com toda
as minhas pena.
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